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23 Jan

Mais de 14 mil pessoas aguardam por consulta com ortopedista em Porto Alegre

Lentidão na fila: Professora fica quatro anos à espera de consulta com ortopedista

Professora de piano e acordeão, Ione Gutierrez, 70 anos, não conseguia atendimento médico e recorreu até a sessões espíritas para aliviar uma dor na coluna. Foi surpreendida, na semana passada, por uma carta na caixa postal.

Um documento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre a avisava para comparecer às 15h de 20 de janeiro no Hospital Independência. Indignada, Ione não foi e postou no Facebook o motivo de sua ira: solicitara a consulta em 8 de fevereiro de 2010.

– Graças a Deus, estou bem. Seria de chorar se não estivesse. Se fosse questão de vida ou morte, eu teria morrido – desabafa.

Moradora da Vila Floresta, zona norte da Capital, Ione sofre de dores crônicas na coluna, possivelmente derivadas da atividade musical (inclinada sobre o teclado ou com a “cordeona” pendurada a tiracolo). Chegou a fazer cirurgia de hérnia de disco, há duas décadas, mas o problema continuou. Em uma das crises, compareceu ao posto de saúde do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) na Rua Conselheiro D’Avila, perto de casa. Foi atendida pela médica da família Miriam Trahtman, que lhe recomendou consultar um especialista.

Ao receber a correspondência da prefeitura, quase caiu para trás. Fotografou a autorização de 2014, juntou a cópia do encaminhamento feito pela médica em 2010 e publicou os dois documentos na rede social.

– Agora confirmei que muitos no Brasil recebem confirmação de consulta após morrerem – constata.

Ione só não reclama em voz mais alta porque as dores não têm aparecido. Graças a uma cirurgia espiritual, acredita ela, adepta dessa crença.

A SMS informa que o pedido para consulta ortopédica feito pela professora deu entrada no sistema informatizado Aghos apenas em 16 de junho de 2012 e reconhece que há congestionamento na espera por essa especialidade. Antes dessa data, não há registro do pedido da paciente.

Já o GHC admite que o pedido de Ione foi feito em 2010 e ressalta que isso foi antes da existência do sistema informatizado. O que funcionava era a discagem telefônica incessante.

– Os funcionários do posto tentaram, durante semanas, marcar a consulta na Central de Consultas administrada pela prefeitura, mas não conseguiram. Acreditamos que, por excesso de demanda, não se conseguia contato – diz o assessor de comunicação social do GHC, Alexandre Costa.

Por falta de atendimento ao telefone ou de médico, Ione esperou quatro anos e desistiu daquele que, ironiza, “é tido como o melhor sistema de saúde do mundo”. Avisou, no posto, que dispensaria a consulta agendada e cogita, agora, pagar para um médico particular se as dores voltarem.

– Isso nem tem explicação. É brincadeira de mau gosto que fazem com a gente – afirma Ione.

14 mil pacientes na fila de ortopedia

Nesta semana, 14.006 pessoas aguardavam por consulta em ortopedia em Porto Alegre. É, de longe, a especialidade médica em que o gargalo por atendimento está mais estreito. E a perspectiva não é das mais animadoras – a estimativa da Secretaria Municipal de Saúde é de que 1.557 pacientes sejam atendidos ao longo de 2014. Ou seja, levaria 10 anos, nesse ritmo, para zerar a fila de pacientes com queixas de problemas nos membros superiores e inferiores e na coluna.

A segunda maior demanda é por proctologista, onde existem 5.942 pessoas na espera. E a terceira é por urologia, com 849.

Por incrível que pareça, os números têm melhorado, assegura a SMS. A situação já foi bem pior, antes da implementação do sistema Aghos, com consultas computadorizadas. Com gestão plena do Sistema Único de Saúde (SUS), Porto Alegre vem diminuindo a fila e o tempo de espera por especialistas. Das 170 especialidades bancadas pelo SUS, apenas 20% têm tempo de espera superior a 30 dias, asseguram autoridades municipais da saúde. E só três especialidades têm espera de mais de um ano: as já citadas ortopedia, proctologia e urologia. Os pedidos mais antigos estão datados de 2011.

Para traumatologia, por exemplo, a SMS garante que o tempo de espera não supera uma semana, já que são casos de suspeita de fratura. É que existem pelo menos dois hospitais que atendem isso em ritmo de urgência (Hospital de Pronto Socorro e Hospital Cristo Redentor). A área de ortopedia pediátrica também está satisfatória, com sete casos apenas superando um mês de espera.

Não existem filas, diz a SMS, para consultar hematologistas, cardiologistas, pneumologistas, infectologistas, otorrinolaringologistas de adultos, gastroenterologistas e oncologistas pediátricos. Fila, no caso, é considerada a espera por mais de 30 dias.

A SMS explica que a maior dificuldade é que poucos especialistas se interessam em atuar para o município. O prefeito José Fortunati se tornou um dos maiores defensores nacionais do programa Mais Médicos após constatar que os especialistas têm recusado salários de R$ 10 mil mensais para jornadas de 40 horas semanais de trabalho. Muitos exigem R$ 20 mil pela jornada. Isso fez com que, em 2013, faltassem 371 médicos nos postos municipais, cerca de 52% do total de vagas previstas.

Fonte: Zero Hora - acesso em 23/01/2014.

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